DO PÃO E CIRCO AO VOTO DE CABRESTO: A ILUSÃO DA
DEMOCRACIA
Na Roma Antiga grande parte da população
vivia em extrema miséria e pobreza, enquanto uma pequena parcela desfrutava-se
das riquezas e luxos do Estado Romano. Diante da insatisfação da população
romana por não ter direitos e nem ter o mínimo para sobrevivência o Estado Romano com medo de
revoltas sociais que poderia colocar seu governo em colapso, criou a Política
de Pão e Circo. Essa política tentava conter os ânimos do povo pobre, a fim de
não por em risco o poder do Estado. Uma dessas medidas era a distribuição do
trigo (pão), que era à base da alimentação familiar naquela época, com isso as
pessoas estando alimentadas não iriam reivindicar seus direitos. Outra medida
tomada para evitar as rebeliões fora a promoção de atividades de lazeres
gratuitas para a população os chamados jogos (circo), que se constituíam em
apresentações de gladiadores, lutas contra animais ferozes, que aconteciam no
Coliseu. Essa Política criada pelo Estado serviu como forma de manipulação e
aprisionamento da população pobre de Roma.
Assim como em Roma no Brasil aconteceu exemplos de
manipulação da população pobre da sociedade a fim do não questionamento dos
abusos do sistema político presente na época (república velha), como o voto de
cabresto. Esse consistia da manipulação muitas vezes através da violência, e
autoritarismo por parte dos coronéis as pessoas pobres. Isso aconteceu
especialmente na região Nordeste do Brasil. Como no início do século XX as
eleições eram ainda mais fáceis de fraudes, muitas pessoas pobres eram coagidas
a votar em candidatos dos coronéis da cidade. Caso essas pessoas se recusassem
a votar sofriam uma série de represálias além da violência física. Esses
fazendeiros ou coronéis exerciam o poder total, nessas pequenas comunidades
interioranas, manipulando e explorando a população pobre.
Atualmente mesmo com o discurso
constitucional de que somos todos iguais, podemos afirmar que vivemos em uma
política democrática? Não carregamos em nossas vivências resquícios da política
de pão e circo e o voto de cabresto? O que vivenciamos na contemporaneidade é a
ilusão da democracia, essa ilusão é manifestada através das políticas
assistencialistas, ao povo pobre, onde pessoas vendem seu voto por um milheiro
de tijolos, ou um tanque cheio de gasolina e etc. Que democracia é essa que nos
obriga a votar em candidatos que simplesmente nos iludem com discursos bem
elaborados, milimetricamente preparados para falar aquilo que desejamos ouvir,
muitas vezes apelando para a fé das pessoas, falando que Deus é o seu
incentivo, a sua base, sendo que quando estão no poder não fazem nada do que o
próprio Deus prega de amor ao próximo e igualdade. O que é ser cidadão? Será
que a prática de cidadania se restringe ao momento das eleições? Devemos
perceber que depois de milhares de anos, e diversas conquistas principalmente
no campo das políticas, ainda continuamos nas amarras da ilusão democrática,
onde pouco tem muito e muito não tem quase nada. O que proponho nesse artigo é
deixar mais perguntas do que respostas: Até quando vamos nos iludir com essa
falsa democracia? Quando vamos nos libertar? O que fazer para que mudanças
aconteçam? A minha proposta é refletir para que através da ação coletiva
daqueles que não aguentam mais o desamparo do poder “público” possamos mudar os
rumos da nossa história.
Por: Samila Sousa Catarino
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