quinta-feira, 4 de setembro de 2014

DO PÃO E CIRCO AO VOTO DE CABRESTO: A ILUSÃO DA DEMOCRACIA

Na Roma Antiga grande parte da população vivia em extrema miséria e pobreza, enquanto uma pequena parcela desfrutava-se das riquezas e luxos do Estado Romano. Diante da insatisfação da população romana por não ter direitos e nem ter o mínimo para sobrevivência o Estado Romano com medo de revoltas sociais que poderia colocar seu governo em colapso, criou a Política de Pão e Circo. Essa política tentava conter os ânimos do povo pobre, a fim de não por em risco o poder do Estado. Uma dessas medidas era a distribuição do trigo (pão), que era à base da alimentação familiar naquela época, com isso as pessoas estando alimentadas não iriam reivindicar seus direitos. Outra medida tomada para evitar as rebeliões fora a promoção de atividades de lazeres gratuitas para a população os chamados jogos (circo), que se constituíam em apresentações de gladiadores, lutas contra animais ferozes, que aconteciam no Coliseu. Essa Política criada pelo Estado serviu como forma de manipulação e aprisionamento da população pobre de Roma.
Assim como em Roma no Brasil aconteceu exemplos de manipulação da população pobre da sociedade a fim do não questionamento dos abusos do sistema político presente na época (república velha), como o voto de cabresto. Esse consistia da manipulação muitas vezes através da violência, e autoritarismo por parte dos coronéis as pessoas pobres. Isso aconteceu especialmente na região Nordeste do Brasil. Como no início do século XX as eleições eram ainda mais fáceis de fraudes, muitas pessoas pobres eram coagidas a votar em candidatos dos coronéis da cidade. Caso essas pessoas se recusassem a votar sofriam uma série de represálias além da violência física. Esses fazendeiros ou coronéis exerciam o poder total, nessas pequenas comunidades interioranas, manipulando e explorando a população pobre.

Atualmente mesmo com o discurso constitucional de que somos todos iguais, podemos afirmar que vivemos em uma política democrática? Não carregamos em nossas vivências resquícios da política de pão e circo e o voto de cabresto? O que vivenciamos na contemporaneidade é a ilusão da democracia, essa ilusão é manifestada através das políticas assistencialistas, ao povo pobre, onde pessoas vendem seu voto por um milheiro de tijolos, ou um tanque cheio de gasolina e etc. Que democracia é essa que nos obriga a votar em candidatos que simplesmente nos iludem com discursos bem elaborados, milimetricamente preparados para falar aquilo que desejamos ouvir, muitas vezes apelando para a fé das pessoas, falando que Deus é o seu incentivo, a sua base, sendo que quando estão no poder não fazem nada do que o próprio Deus prega de amor ao próximo e igualdade. O que é ser cidadão? Será que a prática de cidadania se restringe ao momento das eleições? Devemos perceber que depois de milhares de anos, e diversas conquistas principalmente no campo das políticas, ainda continuamos nas amarras da ilusão democrática, onde pouco tem muito e muito não tem quase nada. O que proponho nesse artigo é deixar mais perguntas do que respostas: Até quando vamos nos iludir com essa falsa democracia? Quando vamos nos libertar? O que fazer para que mudanças aconteçam? A minha proposta é refletir para que através da ação coletiva daqueles que não aguentam mais o desamparo do poder “público” possamos mudar os rumos da nossa história. 

Por: Samila Sousa Catarino